Bate-Papo com Rebeca Barreto


Rebeca Barreto, 22 anos
São Paulo - Paraplegia


Bate-papo com Rebeca

Vanessa Pimentel: O que aconteceu com você?  


Rebeca BarretoHá 3 anos pilotava moto, nunca tinha caído até então... no dia 03 de fevereiro de 2014, trabalhei o dia inteiro e na volta para casa fui fechada por um carro e acabei caindo de moto. Graças a Deus estava sozinha. A moto caiu de um lado e eu do outro, não desmaiei. Aparentemente o acidente não tinha sido grave até porque estava com a velocidade baixa. Mas, no chão mesmo ao tentar levantar-me não consegui, porquê não sentia minhas pernas. Meu pai é policial militar e trabalha na regiãono chão mesmo pedi para a pessoa que parou me ajudar ligar para o meu pai ir me socorrer. 
Meu pai foi o primeiro policial a chegar no local do acidente e a fazer os primeiros socorros. Ali aguardamos o SAMU onde me encaminhou para o hospital da região.  
Chegando lá fui encaminhada direto para a tomografia onde foi diagnosticado a lesão medular. 
Os médicos imediatamente perguntaram se tinha convênio, pois o caso era grave e ali não teria condições para uma cirurgia. 

Dali fui encaminhada para o Hospital Alvorada (convênio). Fui direto para a UTI. O médico de plantão ao ver a tomografia e os raios X, deu seu primeiro laudo. (Na minha frente e para os pais). A lesão era grave, eu não voltaria a andar, provavelmente iria ter uma secreção na região da cirurgia, iria ter que me acostumar a usar fralda e passar sonda para o resto da minha vida.  



Vanessa Pimentel: Como recebeu a noticia e qual foi sua reação?  

Rebeca Barreto: Ter ouvido dos médicos que não voltaria a andar me deu forças para não desistir e mostrar que a vida está nas mãos de Deus. 
Naquele momento ali ouvindo o que aquele médico estava falando, a única coisa que eu fazia era orar e pedir pra Deus me ajudar e me dar forças. 
Naquela mesma madruga fui para a sala de cirurgia, passei por uma cirurgia de 10 horas, onde foram colocados 10 pinos e 3 hastes. 
Graças à Deus aparentemente naquele momento a cirurgia tinha sido um sucesso. 

Até o neurocirurgião analisar a tomografia pós cirurgia e ver um dos pinos fora do lugar. Ainda na UTI no dia seguinte passei por uma nova cirurgia de 8 horas na coluna para retificar o pino que estava torto. Os meus momentos na UTI foram os mais difíceis e doloridos, pois sentia muitas dores que nem a morfina fazia efeito.

Depois de duas cirurgias, fiquei cinco dias na UTI e treze dias no quarto em observação. No quarto também tive algumas crises de dores nas costas muitas fortes. 
Cheguei em alguns momentos pedir à Deus que se continuasse com aquelas dores eu preferia a morte. A pior coisa é você sentir dor e não ter remédio que amenize. 
Mas enfim...Deus deu graça e força! 
No hospital mesmo o neurocirurgião não deu nenhuma esperança que voltaria a andar. O médico deixou bem claro que, a cirurgia pela qual tinha passado era simplesmente para me ajudar a sentar, mas quando confiamos em Deus e sabemos que todas, todas as coisas contribuem para o bem, em nenhum momento me deixei abalar ou perde a fé 
No hospital mesmo comecei a ter uma pequena movimentação na perna direita. Que aos olhos dos médicos era movimentos involuntários, conhecidos como espasmos. 
Após 23 dias no dias no hospital, vivi o momento mais difícil da minha vida, voltar para casa onde sai andando, e voltaria em uma cadeira de rodas! Não sabia como seria, como ia ser minha vida dali pra frente. 
São tantas expectativas e ansiedades. Como seria viver sobre rodas? 
Assim que tive alta fiquei na casa dos meus pais durante dois meses.  
Pois fazia o cateterismo (xixi) com ajuda, tinha que ser virada na cama a cada duas horas, não tomava banho sozinha, não fazia nada sozinha. Foram dois meses muitos difíceis e de muitas adaptações e mudanças. 
Durante esse tempo tive o acompanhamento da fisioterapeuta do hospital, que me acolheu como se fosse da sua família. A Lu (fisioterapeuta) que mostrou-me que poderia fazer tudo independente da cadeira. 

Vanessa Pimentel: Onde foi sua reabilitação? O que fez diferença na sua vida? 

Rebeca Barreto:  Após 4 meses de lesão consegui uma vaga no Instituto de Reabilitação Lucy Montoro. Aprendi ser independente na cadeira e eu poderia fazer tudo e um pouco mais.  
Aprendi fazer o cateterismo (xixi) sozinha, aprendi que nós cadeirantes podemos trabalhar, fazer algum esporte, ir para academia , sair, viver etc..
Os movimentos na minha perna direita com a fisioterapia foi melhorando cada vez mais.
Na minha primeira internação no Rede Lucy Montoro que foram de 2 meses, comecei meus primeiros passos na barra com tala na perna esquerda, pois a direita tinha um pouco de movimento e a esquerda naquele momento só formigamentos. 
Após esse período de internação, voltei para a minha casa! Afinal sou casada e precisava dar continuidade à minha vida. 
Aceitei a cadeira de rodas, mas não me conformei. São duas coisas totalmente diferentes!  
Dei continuidade ao meu tratamento intensivo na fisioterapia, comecei também na academia, equoterapia e natação. Os resultados veio com o tempo. 
Hoje em dia pra graças à Deus, não preciso mais usar a sonda para o cateterismo (xixi). A minha perna direita teve uma melhora, a perna esquerda que não tinha nenhuma movimento hoje já consigo abrir e fechar. E a melhora é gradativa.  
Hoje já ando com andador. A minha perna direita não precisa de nenhum apoio, somente uma órtese flexível no pé e a perna esquerda por enquanto uso o tutor (um aparelho que me ajuda travar o joelho). 

Vanessa Pimentel: Sei que é casada, como foi a reação do seu marido?  

Rebeca Barreto:  No primeiro momento meu esposo ficou bastante abalado... Mas em nenhum momento me desanimou ou pensou em me abandonar por conta da cadeira.
Ele sempre esteve ao meu lado, me ajudando, dando forças e apoio para não desistir! 



Vanessa Pimentel: Sofreu algum preconceito? Como lidou com isso?

Rebeca Barreto: Infelizmente o preconceito existe. Por muitas vezes por pessoas tão próximas. Mas nunca liguei ou me preocupei com o que as pessoas estavam achando ou me olhando com cara de dó.

Vanessa Pimentel: O que aprendeu com a lesão?

Rebeca Barreto: A lesão me ensinou a olhar a vida e as pessoas de outra forma. 
Me ensinou a ser forte, persistente, lutadora. E que a fé em Deus ela move montanhas e obstáculos. Antes de sofrer o acidente eu já era formada em secretariado executivo. No momento estou afastada, mas pretendo voltar a trabalhar num futuro próximo.

Vanessa Pimentel: Filhos?

Rebeca Barreto: Filhos ainda não tenho, mas meu esposo e eu pretendemos ter no momento certo. Por enquanto o foco está em reabilitar-me!

Vanessa Pimentel: Como foi poder dar seus primeiros passos?

Rebeca BarretoMeus primeiros passos foi muito emocionante, gratificante e muito difíceis. Em alguns momentos cheguei a pensar que não iria conseguir, mas nunca perdi a fé ou pensei em desistir.  
E aqui estou eu ainda na luta para começar a dar meus primeiros passos novamente mas agora com a canadense.

Vanessa Pimentel: Como está sua vida atualmente, dando os primeiros passos e ultrapassando o impossível?  

Rebeca BarretoAtualmente sou uma pessoa totalmente independente, faço academia, equoterapia, natação e fisioterapia. Sou esposa, filha, irmã, amiga, dona de casa, cadeirante dando novamente meus primeiros passos. Minha vida em nenhum momento parou. 
Sou eternamente grata a Deus pela oportunidade de está viva e aprendendo cada dia mais. Agradeço os meus pais que em nenhum momento me desamparam e até hoje me ajuda no que eu precisar. Meu esposo Erick que é meu amigo, companheiro, parceiro de todas as horas e que está junto comigo passando por essa etapa e sei que vamos vencer juntos.  
Meus irmãos que sempre se desdobram para me ajudar (AmO vcsssss). 
 Agradeço aos familiares e amigos que permaneceram mesmo na hora da dificuldade, fisioterapeutas e personal. Em especial o apoio da Academia StudiumEquoterapia Texas Ranch e ao Espaço Master, que estão juntos comigo nesse meu dia-a-dia de terapias e atividades. Enfim agradeço a Deus por ter passado por isso e ainda está passando.  
São nessas horas que realmente conhecemos as pessoas, os que se dizem ser amigos. 
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Para você assim como eu esta passando por uma reabilitação ou por algum outro problema tenha certeza de uma coisa apenas. "Os sonhos e os propósitos de Deus para a nossa vida é sempre melhor".

Talvez você não entenda neste momento, mas tenho certeza que o melhor ainda esta por vir...Rebeca Barreto 
17/3/2015 21:05 


1 comentários :

Fer disse...

Que história linda superação e fé tudo que amo..

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