Bate-Papo com Priscila Aprigio

Priscila Aprígio, 21 anos
São Paulo - Paraplegia


Bate-papo com a Priscila Aprígio. 


A menina de 13 anos atingida por uma bala de fuzil em São Paulo, devido um assalto ao banco em 2007.


Policiais socorrendo Priscila depois do tiro
Vanessa PimentelO que aconteceu com você? 

Priscila Aprigio: Voltava do dentista pela Avenida Ibirapuera em São Paulo uma região de classe alta, bairro Moema. Por volta das 17 horas eu estava no ponto de ônibus quando escutei vários barulhos mas não identifiquei que eram tiros, mesmo assim me joguei no chão para não ser baleada. 
Quando fui pegar minha bolsa que estava pouco longe de mim e já não sentia minhas pernas.  Dai olhei para o lado e vi muito sangue. Liguei para minha mãe, contei tudo o que estava acontecendo. Um homem veio e disse que ia me ajudar, pegou meu celular falou com minha mãe. Me gravou no chão baleada e levo meu celular.  
Os bandidos saíram atirando e eu fui atingida por uma bala de fuzil. Causando a paraplegia.

Vanessa PimentelÉ como foi chegar em casa? A adaptação?  

Priscila Aprigio: Sempre tive minha liberdade e agora se vê  deparada com a ajuda de enfermeiros, médicos, pai e mãe e família, não foi fácil. Bom eu no hospital aprendi passar minha sonda (cateterismo/xixi). Pois tenho bexiga neurogênica, isso foi uma grande conquista. Não voltei para casa,  fui para um hotel onde o banco pagou as despesas até decidirem como iria fazer em relação a minha casa (acessibilidade e uma nova vida com lesão medular). Pois onde eu morava não podia voltar, era pequeno e tinha escadas. E ainda era interior de São Paulo morava no Embu das Artes.  



Vanessa PimentelE o banco ajudou de qual forma?!  

Priscila Aprigio: Pagou durante  2 anos a hospedagem no hotel. Comprou o terreno e fez a casa adaptada. E falo que se eu quisesse mais alguma coisa, iria ter que entrar na justiça. 

Vanessa Pimentel: E você continuou sua vida? Estudos? Trabalho?  

Priscila e seu filho

Priscila Aprigio: Então, depois que mudei para a nova casa, fui viver minha vida, fui trabalhar e tive um filho que hoje estar com 4 anos. Comecei a faculdade de arquitetura. Mudei meus sonhos, porque não da para viver os mesmos sonhos de quando eu tinha 13 anos e andava. Mas posso dizer que não estou tão fora do normal, arrumo minha casa, cuido do meu filho, trabalho, estudo, saio para passear...Nunca deixei que a cadeira me impedisse de fazer nada.  

Vanessa Pimentel: Você foi no programa criança esperança e conseguiu seus primeiros passos. Continuou esse tratamento? Teve ajuda? Eles continuaram te ajudando com a fisioterapia?  

Priscila Aprigio: Infelizmente esse tratamento não. Eu deveria continuar lá em Campinas/SP. Porém não tenho carro para ir até o local. Tive ajuda do governo de São Paulo, fiz o tratamento durante um bom tempo, mas não preciso fazer mais. Até porque sempre quis viver minha vida, mesmo em uma cadeira de rodas, eu aceitei.  
Não que eu não acredite que não vou mais andar. Não posso só pensar nisso e de repente não acontece, vou viver deprimida. Não posso deixar isso acontecer, né? 

Programa Mais Você - Ana Maria Braga
                 
SuperPop

Vanessa Pimentel:  Tem muitas entrevistas sua na internet. SuperPop (Luciana Gimenez), Mais Você (Ana Maria Braga)Fantástico, Programa Hoje em Dia...Eles te ajudaram?! Continua procurando saber como você está depois desses anos?!  

Priscila Aprigio: Assim, nunca pagaram pelas minhas entrevistas, porém feito uma troca. Eles usam minha imagem e eu falo o que preciso, assim pode aparecer alguém para ajudar. 
Mas desde quando ganhei meu filho, eles nunca mais me procuraram.

Criança Esperança

Fantástico

Vanessa Pimentel: E sua cadeira? Você comprou? Sabemos o tão caro é nossos custos. 

Priscila Aprigio: Bom minhas cadeiras eu consegui assim, uma da toklev foi doação. A outra meu pai comprou parcelada. E a cadeira motorizada eu fui ao programa da Ana Hickmann e ganhei de presente. 

Vanessa Pimentel: Já sofreu algum preconceito? 

Priscila Aprigio: Em relação ao preconceito sofremos todos os dias um pouco, pois as pessoas agem de uma forma como se deficiente fosse uma doença. O que não é verdade! 
Mas eu não ligo, nunca liguei para o que acham. Sempre me achei sim, superior a qualquer um, mas não pelo lado ruim e sim pelo lado bom. Pois me agindo assim as pessoas vê que você não é o que elas acham realmente e começam a quebrar esse preconceito. Mas já sofri sim, tanto em gesto como em palavras e já fui agredida em ônibus também. 

Vanessa Pimentel: E a sua reabilitação? 

Priscila Aprigio: Com a lesão aprendi muito, nossa principalmente ser mulher quando na verdade minha idade era de menina.  
Minha reabilitação foi em todas as redes de reabilitação do governo de São Paulo. Passei pela DMR, Hospital das clinicas na estação ciência da Lapa e na Lucy Montoro. Confesso que desde quando o governo na época Serra, disse que iria fazer minha reabilitação. Fiquei muito feliz pois tenho 8 anos de lesão e ainda passo em médicos na Lucy Montoro. A reabilitação foi e será muito importante. Se hoje sou uma mulher livre, no sentindo de conseguir fazer as coisas. Graças a reabilitação. 

Vanessa Pimentel: Acessibilidade? 

Priscila Aprigio: Tenho que confessar que não e fácil. Realmente precisa de umas manobras para sobreviver, temos leis em relação a isso mais ainda acho pouco fiscalizado e também pouco ágil em relação a isso. Ano passado fui de ônibus à prefeitura do Campo Limpo/SP. Fui informar que o ponto de ônibus mais próximo da minha casa não tinha rampa, são degraus e tem um poste exatamente no meio, o que faz com que eu tenha que ir pelo meio da rua da sinal ao ônibus. E também muito lixo ao redor do ponto, na calçada.  
Até hoje a prefeitura não fez nada e eu continuo sofrendo com isso, carro em cima da calçada que da acesso ao ponto, lojas que tem degraus absurdo, vou ao mercado e o caixa preferencial não tem atendimento, elevador de ônibus que não funciona.  
Pior é cobrador e o motorista que não sabe mexer e muitas vezes sou eu quem subo e desço no elevador. Tenho até chave que liga e desliga elevador. 

Vanessa Pimentel: E as paqueras? Namorado? Marido? 

Priscila Aprigio: (Risos) Muito engraçado a palavra namorar. Bom sempre fui muito namoradeira, sempre fui muito descolada, sempre encantei homens. Até hoje não tive nenhuma dificuldade, sou uma mulher muito bonita, atraente e sedutora. Nunca tive problema em relação ao sexo, não e atoa que tenho um filho. Mas tenho vida amorosa bem sucedida e no sexo muito bem sucedida. Risos 

Vanessa Pimentel: Pratica algum esporte (atividade física)? 


Priscila Aprigio: Descobri que meu esporte favorito tem adrenalina. Eu amo correr de kart, infelizmente não pude continuar. Pois não tenho carro para ir até a pista, onde treinamos. Na Granja Viana/SP. Mas já corri e amei! Melhor adrenalina que pude sentir, muito bom. Não gosto de esporte que a galera normalmente faz, como piscina, basquete, vôlei, tênis de mesa e etc. Esses que não tem adrenalina, não é comigo. 

Vanessa Pimentel: E a sua vida atualmente? 

Priscila Aprigio: Minha vida costumo dizer normal, mas com os problemas do cotidiano. Já recuperei parte da lesão. A reabilitação hoje, sou mãe e esposa. Literalmente falta casamento que será em breve, quero muito e estou super feliz e ansiosa. Pretendo ter mais um filho ou filha. Ter sucesso na minha carreira profissional, enfim uma vida normal. 
E sempre na expectativa de novos desafios. 

Vanessa Pimentel: Algum conselho? Deixa um recado para os leitores. 

Priscila Aprigio: Sabe eu costumo dizer que nem sempre carregamos sorrisos na nossa bagagem. Carregamos dores também, medo, raiva e goa. Mas a realidade é esta, se você ficar feliz, é claro que a situação vai passar de uma forma melhor. Mas se queres passar pela situação já pensando no fim, que isso não é pra vocêentão faça isso e verás quanto tempo irá levar para sair dessa situação, e se sair. 
Pois infelizmente perdi uma amiga que morreu de tristeza na cadeira. Me pergunto porque as pessoas desistem, antes mesmo de lutar. Não estou dizendo que é fácil, mas já carreguei tudo o que falei na minha bagagem e estou aqui toda vez que for chorar, lembrar que até o momento que começar a chorar Deus me sustentou.  
Quero ressaltar que Deus foi e sempre será o meu maior, me salvou, me deu vida, força, batalhas e vitórias. Muitas coisas boas ele ainda me dará, porque meu Deus é o Deus do impossível. É o Deus de milagres, é o dono do ouro e da prata.  
Nunca me deixo em momento algum, até mesmo nos momento mais difíceis que minha lágrima começava a escorrer, logo parava porque Ele sessava a minha dor. Pois ele sempre teve o melhor pra mim. É esse Deus que sempre esteve comigo e estará por toda eternidade  com você.  
Leve seus olhos para os céus, peça socorro. Mostre para Deus que você está aberto para os milagres e lutas, que Ele tem para sua vida.



1 comentários :

tatiana rolim disse...

Pri num super beijo, muito bom, te ver por aqui .Nao temos nos visto na tv , nos programas e nem na REATECH deste ano te vi.Achei otima a materia .Vc esta linda.
bjs

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